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Financiamento climático pode ajudar a prevenir conflitos em países em desenvolvimento

Uma investigação analisou dados de 85 países ao longo de mais de duas décadas e concluiu que níveis mais elevados de financiamento climático estão associados a uma menor incidência de conflitos, especialmente os de pequena escala e dentro das próprias fronteiras nacionais.

Redação

O financiamento internacional para projetos de adaptação às alterações climáticas pode contribuir para reduzir conflitos em países em desenvolvimento, sobretudo os relacionados com a escassez de recursos, segundo um novo estudo publicado na revista Climate Policy.

A investigação, divulgada pelo Taylor and Francis Group, analisou dados de 85 países ao longo de mais de duas décadas e concluiu que níveis mais elevados de financiamento climático estão associados a uma menor incidência de conflitos, especialmente os de pequena escala e dentro das próprias fronteiras nacionais.

Menos escassez, menos conflito

Os resultados sugerem que investimentos em áreas como energias renováveis, gestão da água e agricultura resiliente ajudam a reduzir pressões sociais e económicas que frequentemente estão na origem de tensões.

“O nosso estudo mostra que o financiamento climático pode desempenhar um papel importante na redução de conflitos, especialmente os associados à competição por recursos”, afirma Chin-Hsien Yu, autor principal do estudo.

Segundo o investigador, projetos que melhoram o acesso a recursos essenciais – como água e energia – reforçam a resiliência das comunidades e contribuem para diminuir o risco de instabilidade.

Impacto que vai além do clima

O estudo destaca ainda que o impacto do financiamento climático não se limita à adaptação às alterações climáticas, tendo também efeitos positivos na estabilidade social e política.

A coautora Xinrui Li sublinha que “este tipo de financiamento faz mais do que ajudar os países a adaptarem-se – contribui também para a paz e estabilidade em regiões frágeis”.

Os autores defendem, por isso, que governos e instituições financeiras devem considerar estes benefícios adicionais ao definir prioridades de investimento.

Prioridades para políticas públicas

Entre as recomendações do estudo está a necessidade de direcionar financiamento para regiões onde a vulnerabilidade climática coincide com maior risco de conflito, bem como reforçar investimentos em água e energias renováveis.

Os investigadores sublinham ainda a importância de uma governação eficaz e da inclusão das comunidades locais na implementação dos projetos, para garantir que os recursos são utilizados de forma eficiente, mesmo em contextos instáveis.

Num momento em que vários países desenvolvidos estão a rever os seus compromissos de financiamento climático, o estudo sugere que este tipo de investimento pode ter um papel mais amplo do que o esperado – não apenas ambiental, mas também na promoção da paz.

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