Descoberta na Papua-Nova Guiné nova espécie de tubarão capaz de andar pelo fundo do mar

Esses animais peculiares pertencem ao género Hemiscyllium, também conhecidos como tubarões-andantes, um grupo que até há bem pouco tempo era constituído por nove espécies cientificamente descritas. Agora, é acrescentada uma décima, que é também a primeira desse género a ser descoberta desde 2013.

Filipe Pimentel Rações

Pode parecer algo tirado de algum filme de ficção-científica, mas é verdade: há tubarões que conseguem deslocar-se pelo fundo do mar, usando as suas barbatanas como se fossem pernas.

Esses animais peculiares pertencem ao género Hemiscyllium, também conhecidos como tubarões-andantes, um grupo que até há bem pouco tempo era constituído por nove espécies cientificamente descritas. Agora, é acrescentada uma décima, que é também a primeira desse género a ser descoberta desde 2013.

A nova espécie foi encontrada nas águas marinha ao largo da costa sudeste da Papua-Nova Guiné, durante um mergulho noturno, período durante o qual ela está mais ativa. Foi-lhe dado o nome científico Hemiscyllium dudgeonae, em homenagem a Christine Dudgeon, investigadora da Universidade de Sunshine Coast (Austrália), especialista em genética de tubarões e principal coautora do artigo que dá conta da descoberta.

O primeiro exemplar do que os cientistas pensavam ser uma nova espécie foi documentado em março de 2025. Dias depois, após uma exploração intensiva dos recifes no local onde se depararam com o primeiro indivíduo, a equipa detetou mais 11.

Estes tubarões alimentam-se de invertebrados no leito marinho, usando as quatro barbatanas como se fossem pernas para se deslocarem sobre os recifes, e não representam qualquer perigo para os humanos.

Um exemplar da nova espécie Hemiscyllium dudgeonae, encontrado num recife a dois metros de profundidade na Papua-Nova Guiné. Foto: M.V. Erdmann.

A coloração foi uma das principais características que levou os cientistas a suspeitar fortemente de que estavam perante uma nova espécie.

“Percebi logo que o padrão de coloração era diferente do de qualquer outra espécie com a qual já tinha trabalho anteriormente”, recorda Jessica Anne Blakeway, primeira autora do estudo.

“A primeira coisa que nos chamou a atenção foram os traços brancos ao longo do seu corpo castanho. Esses traços eram bastante diferentes das manchas semelhantes às de um leopardo que esperávamos ver”, acrescenta.

Sendo um animal dócil e complacente, o primeiro exemplar encontrado foi levado até ao barco nas mãos dos mergulhadores, para ser examinado em maior detalhe. Através da análise genética de amostras recolhidas a bordo da embarcação científica, confirmou-se a nova espécie.

O tubarão é conhecido pelas comunidades locais como pelo nome kadedekedewa, que pode ser traduzido para “tubarão cão” ou “tubarão preguiçoso”, devido à sua locomoção lenta e suportada por quatro “patas”.

Por ter uma área de distribuição aparentemente muito reduzida, os investigadores mostram-se preocupados com a possibilidade de a espécie, apesar de só agora ter sido cientificamente descrita, estar ameaçada de extinção. Para confirmar o estatuto de conservação, esperam recolher mais dados sobre a espécie em outubro deste ano, data da próxima expedição científica, para confirmar o estado de conservação, que acreditam ser “vulnerável” ou “em perigo”.

Cinco das 10 espécies de Hemiscyllium até agora conhecidas estão já classificadas como em risco de extinção, especialmente por causa das suas áreas de distribuição muito restritas.

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