Estudo destaca os riscos iminentes que a população de coalas de Sydney enfrenta

Um novo estudo da Universidade de Sydney destaca o dilema existencial único enfrentado pela população de coalas de Sydney, na Austrália.
Estas populações do sudoeste de Sidney são das poucas em Nova Gales do Sul (NSW) que ainda não têm clamídia, uma doença altamente contagiosa que causa infertilidade e que diminuiu gravemente as populações noutros estados do leste do continente.
No entanto, a análise destes coalas, efetuada por Elspeth McLennan e pela Professora Carolyn Hogg da Escola de Ciências do Ambiente e da Vida da Universidade, mostra como são vulneráveis a ameaças ambientais e a surtos de doenças. Altamente consanguíneos e com baixa diversidade genética, são menos suscetíveis de se adaptarem à doença caso esta chegue à sua porta.
As conclusões foram publicadas na revista Conservation Genetics.
Amostras de tecido de 111 coalas foram recolhidas por funcionários do Governo de NSW em sete locais nos subúrbios de Liverpool, Campbelltown, Heathcote e Wollondilly, e em Wingecarribee, nas Terras Altas do Sul.
A análise genética revelou um elevado nível de inter-relacionamento, consanguinidade e uma diversidade genética preocupantemente baixa nos coalas de Sydney.
A baixa diversidade genética significa que as populações nem sempre se podem adaptar às mudanças, tornando-as altamente suscetíveis a ameaças ambientais e surtos de doenças.
“Em média, os coalas das populações de Sydney têm relações de parentesco entre primos ou meio-irmãos”, diz McLennan.
Viver em áreas altamente urbanizadas limita as oportunidades de os coalas de Sydney se deslocarem e se reproduzirem com populações mais distantes e aumentarem a diversidade necessária para criar resiliência. No entanto, existe a possibilidade de os coalas da região vizinha de Wollondilly Shire, onde a clamídia está presente, chegarem às populações de Sydney. A análise do fluxo genético mostrou que os coalas estão a deslocar-se entre Wollondilly e Campbelltown, o local mais a sul sem clamídia.
McLennan afirma que não existe uma solução pronta para enfrentar as ameaças, incluindo as ameaças antropogénicas das alterações climáticas e da urbanização em curso, aos coalas no sudoeste de Sydney. “O simples facto de melhorar a conetividade do habitat para aumentar a diversidade genética pode promover a propagação da clamídia”, sublinha.
“Para além do sudoeste de Sydney, os resultados mostram a importância de gerir as populações de coalas e as paisagens circundantes. Precisamos de garantir a conetividade contínua entre todas as populações de coalas para manter a sua saúde e resistência às ameaças”, aponta.
Coalas em Queensland, Nova Gales do Sul e no Território da Capital Australiana foram listados como ameaçados de extinção em 2022. As suas populações diminuíram 24% nos últimos 20 anos.
A investigação destaca um problema que os conservacionistas também enfrentam em todo o mundo.
“Sem diversidade, as espécies ameaçadas correm o risco de sucumbir a surtos de doenças e ameaças ambientais”, conclui.