Medusas e anémonas-do-mar dormem e até fazem sestas tal como os humanos
Um grupo de investigadores liderado pela Universidade de Bar-Ilan, em Israel, descobriu que as medusas, e outros seres simples como as anémonas-do-mar, podem entrar em estados semelhantes aos dos humanos quando estão a dormir.
Membros do grupo dos cnidários, esses animais marinhos não têm olhos nem cérebros, mas os cientistas, em experiências em laboratório, observaram alguns desses animais a dormir durante oito horas seguidas por dia, especialmente durante a noite.
Através de tecnologias de imagens de infravermelhos, a equipa monitorizou os movimentos das medusas da espécie Cassiopea andromeda e das anémonas-do-mar da espécie Nematostella vectensis. Percebeu-se que as primeiras reduzem as suas pulsações durante a noite, que voltam a aumentar durante o dia.
Os cientistas dizem que é possível que se trate de uma mera redução da atividade dos animais, e não necessariamente do ato de dormir. Para tentarem descortinar o que realmente acontece, introduziram vários estímulos, como som, luz e odor, para captarem as reações das medusas e das anémonas.
Caso se tratasse apenas de um repouso mais profundo, mas não do ato de dormir, não seriam precisos estímulos muito intensos para se conseguir uma reação por parte do animal. Em sentido inverso, se o animal está a dormir o estímulo precisaria de ser mais intenso para se conseguir uma resposta, tal como acontece com os humanos.
Com base nos resultados, os investigadores sugerem mesmo que esses animais dormem. Escrevem no artigo, publicado na revista ‘Nature Communications‘, que, à semelhança dos humanos, as espécies de medusa e de anémona-do-mar abrangidas por este estudo “dormem durante cerca de um terço do dia”. Sobre a medusa, dizem mesmo que, além de dormir à noite, faz sestas a meio do dia, tanto em laboratório como no seu habitat natural.
Os autores argumentam que o ato de dormir, embora seja “um estado comportamental vulnerável”, é “ubíquo nas espécies animais com um sistema nervoso” e que terá evoluído para proteger as células do desgaste e degradação causado pelo estado de alerta, durante o qual são bombardeadas com estímulos e estão ativas e a gastar energia. O sono, assim, serve para ajudar os cnidários, e outras espécies também, no que os cientistas chamam de “recuperação neuronal”, permitindo que o animal se mantém saudável e com as capacidades cognitivas em bom funcionamento.
