Programa pioneiro certifica sustentabilidade do azeite e quer criar valor para o setor



O Programa de Sustentabilidade do Azeite (PSA), promovido pela associação OLIVUM, pretende criar valor para o setor em Portugal e permitir que os produtores nacionais conquistem espaço num mercado global cada vez mais exigente.

“Há, de facto, mercados e consumidores que estão disponíveis para pagar mais por um produto que é produzido de uma forma sustentável e certificada e isso é, obviamente, aquilo que nós também pretendemos”, realçou Gonçalo Moreira, gestor do PSA.

Com esta certificação “queremos, principalmente, chegar a novos mercados e a consumidores que valorizam este tipo de práticas e este tipo de produção sustentável”, acrescentou.

O responsável falava à agência Lusa a propósito da atribuição pela OLIVUM – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, com sede em Beja, do primeiro certificado PSA ao produtor oleícola alentejano Casa Relvas.

Para Gonçalo Moreira, a atribuição do primeiro ‘selo’ PSA “é o culminar de um trabalho que começou em 2022, com o objetivo de diferenciar e de valorizar o azeite português”.

A iniciativa arrancou há quatro anos, com o então designado Programa de Sustentabilidade do Azeite do Alentejo, numa parceria da OLIVUM com a Universidade de Évora, acabando por assumir uma abrangência nacional em 2024.

“Somos um país pequeno e um setor que não tem assim tantas diferenças na sua produção, pelo que não fazia sentido manter este programa apenas no Alentejo”, justificou o gestor do PSA.

Gonçalo Moreira acrescentou que o “grande objetivo” da OLIVUM com o lançamento deste programa foi “diferenciar o azeite” nacional e garantir que Portugal possui “um produto que é absolutamente sustentável”.

Os processos de auditorias no âmbito do PSA acabaram por arrancar em 2025 e assentam num referencial composto por 98 critérios, organizados em 26 capítulos, sendo avaliadas as dimensões “ambientais, sociais e económicas da produção de azeite”.

Segundo a OLIVUM, em comunicado enviado à Lusa, o programa foi concebido como “uma ferramenta de apoio às empresas no seu percurso de sustentabilidade”. Trata-se de “um mecanismo de reconhecimento formal de boas práticas já existentes no setor” e “um instrumento de diferenciação credível num mercado global cada vez mais exigente”.

A Casa Relvas, produtor de vinho, com adega em São Miguel de Machede, no concelho e distrito de Évora, assim como de azeite, com lagar no concelho de Vidigueira, no distrito de Beja, é a primeira empresa certificada ao abrigo do PSA, mas Gonçalo Moreira garantiu que outras se vão seguir.

“Tivemos uma muito boa adesão” ao programa e “temos mais empresas que estão muito próximas de poder vir a ter a sua certificação”, afiançou, sem precisar o número ou identificar os produtores em vias de serem certificados.

Segundo o gestor, o ‘selo’ do PSA estará visível nos rótulos das garrafas de azeite dos produtores certificados.

Noutros casos, explicou, “a azeitona que sai do campo e que é certificada também irá acompanhada de um certificado, assim como o azeite que sai a granel dos lagares também será acompanhado de um certificado, para que depois quem embala também tenha que cumprir” com as normas do processo.

Gonçalo Moreira destacou ainda o facto de o PSA ser um processo “pioneiro” a nível mundial, estando a despertar “bastante interesse por parte de outros mercados estrangeiros”, como em Espanha, Itália, Austrália ou Estados Unidos da América.

“É um programa que gostaríamos muito de ver comunicado lá fora, para que o nosso azeite tenha esse valor acrescentado e essa diferenciação. Pode ser que, no futuro, consigamos que o programa ultrapasse fronteiras”, argumentou.






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