Uma barreira fluvial obsoleta vai ser removida esta sexta-feira, 18 de setembro, da Ribeira de Perofilho, no concelho de Santarém. A intervenção é promovida pela SOS Animal – Portugal e pelo Município de Santarém, com financiamento do European Open Rivers Programme, e pretende devolver continuidade ao curso de água, foi divulgado em comunicado.
Segundo a mesma fonte, mesmo estruturas de pequena dimensão podem dificultar a circulação de espécies aquáticas, alterar o transporte natural de sedimentos e contribuir para a fragmentação dos habitats. A remoção da barreira insere-se, assim, numa estratégia de recuperação da conectividade fluvial.
De acordo com o European Open Rivers Programme, existem cerca de um milhão de barreiras a fragmentar os rios europeus, mais de 150 mil das quais são consideradas obsoletas, abandonadas ou sem função.
Os dados da Dam Removal Europe mostram também que, em 2025, foram removidas pelo menos 603 barreiras fluviais em 21 países europeus, permitindo reconectar mais de 3740 quilómetros de rios. A Suécia registou 173 remoções, a Finlândia 143 e Espanha 109. Portugal reportou apenas uma remoção nesse ano.
A recuperação dos rios de fluxo livre é também uma das metas do Regulamento Europeu do Restauro da Natureza, que estabelece como objetivo restaurar pelo menos 25 mil quilómetros de rios até 2030.
“Restaurar a natureza nem sempre significa construir”
Para Sandra Duarte Cardoso, presidente da SOS Animal – Portugal, a remoção de estruturas que já perderam a sua função pode ser uma das formas mais simples de recuperar o funcionamento dos ecossistemas fluviais.
“Durante décadas habituámo-nos a acrescentar estruturas à natureza. Muito mais raramente fazemos a pergunta inversa: isto ainda precisa de estar aqui? Quando uma barreira perdeu a função para a qual foi construída e permanece apenas a interromper um ecossistema, removê-la pode ser uma das formas mais simples e eficazes de devolver funcionalidade ao rio. Restaurar a natureza nem sempre significa construir. Muitas vezes significa saber retirar”, afirma.
A intervenção dá continuidade a um trabalho iniciado em 2024 na mesma ribeira, quando foi removido outro açude obsoleto num projeto desenvolvido pela WWF Portugal em cooperação com o Município de Santarém e a SOS Animal, também com apoio do European Open Rivers Programme.
Essa intervenção permitiu restabelecer cerca de 2,5 quilómetros de conectividade fluvial na Ribeira de Perofilho.









