Está na hora de mudar para os produtos de limpeza “verdes” (a saúde agradece)

Uma nova investigação da Universidade da California em Berkeley revela que esta mudança traz benefícios para a saúde dos consumidores e do planeta.

Rita de Oliveira Grossinho

Uma equipa de investigadores da Universidade da California em Berkeley e um grupo de adolescentes de Salinas Valley, uniram-se para estudar o efeito da utilização de produtos de limpeza doméstica convencionais, e as vantagens da mudança para produtos de limpeza “verdes” ou com menos químicos.

“Para o estudo CHAMACOS [Center for the Health Assessment of Mothers and Children of Salinas (CHAMACOS), o centro no qual o grupo de jovens integrava o Conselho Juvenil], perguntámos às pessoas com que frequência elas limpam suas casas e 40% da nossa população disse que faz uma limpeza substancial todos os dias – e por substancial, eles querem dizer coisas como limpar o chão ou aspirar todos os dias. Por isso, o conselho de jovens realmente sentiu que essa era uma questão de justiça ambiental que estava a afetar a sua comunidade latina e, particularmente, as mulheres latinas na Califórnia”, explica Kim Harley, autora principal do estudo agora publicado no Environmental Health Perspectives.

Com base no facto de que 81% dos empregados de limpeza profissionais e porteiros da Califórnia serem latino-americanos, foram recrutadas 50 latinas da comunidade de Salinas Valley para o estudo. Numa semana, cada mulher teve de limpar durante 30 minutos a cozinha e a casa de banho com os produtos de limpeza convencionais, e uma semana depois, tiveram de repetir o processo mas utilizando produtos de limpeza “verdes” escolhidos pelos alunos. Durante as limpezas cada mulher utilizou uma mochila com um equipamento de monitorização do ar, que recolhia amostras do ar perto do seu rosto.

Os resultados demonstraram que a mudança para os produtos “verdes” traz benefícios a curto e longo prazo para a saúde dos consumidores. Ao utilizarem produtos de limpeza “verdes”, estes reduzem a sua exposição em até 17 produtos químicos tóxicos, que provocam doenças como o cancro, ou que podem interferir com o sistema endócrino e com a capacidade reprodutora.

“O que achei mais interessante foi o facto de haver uma diminuição de 86% na exposição ao clorofórmio após a troca de produtos de limpeza convencionais por produtos de limpeza verdes. Realmente colocou em perspectiva como os produtos de limpeza podem servir como potenciais cancerígenos e desreguladores hormonais. É algo em que nós realmente não pensamos quando limpamos, porque achamos que limpar é uma coisa boa. E é, mas também pode ter alguns efeitos prejudiciais à nossa saúde a longo prazo”, explica Jessica Cabrera, co-autora do estudo.

A opinião dos participantes foi ainda positiva: quase todas (98%) disseram que os produtos de substituição funcionaram tão bem quanto os produtos originais, e 90% disseram que consideravam comprar os produtos “verdes” no futuro.

De acordo com a co-autora do artigo Stephanie Mayo-Burgos, é também possível também evitar a exposição a estes químicos optando por abrir as janelas e as portas do espaço, utilizando luvas e óculos de proteção ou limpando algumas superfícies apenas com um pano de microfibras.

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