Estas baleias podem viver saudáveis até aos 200 anos. Agora sabe-se porquê

Uma investigação publicada recentemente revela o segredo da extraordinária longevidade das baleias Balaena mysticetus e pode ajudar a descobrir formas de estender a vida humana.

Filipe Pimentel Rações

Os humanos há muito que são fascinados pela vida eterna. Contudo, embora avanços na Medicina e tecnologia tenham aumentado a longevidade na nossa espécie, tornamo-nos mais vulneráveis a doenças, como a cancros, à medida que envelhecemos.

A imortalidade, para já, é traço único de uma medusa da espécie Turritopsis dohrnii, um pequeno animal gelatinoso com cerca de cinco milímetros que é capaz de reverter o seu ciclo de vida quando enfrentam condições adversas, como a falta de alimento, ou quando sofre ferimentos. Há também o caso do rato-toupeira-pelado (Heterocephalus glaber), que pode viver até aos 40 anos devido aos seus “superpoderes” genéticos.

Ainda assim, a longa vida pode ser encontradas noutros animais mais perto da nossa “casa” taxonómica, nos mamíferos. As baleias-da-gronelândia (Balaena mysticetus) são conhecidas por poderem viver até aos 200 anos de idade com uma resistência notável a doenças.

Agora, uma investigação publicada recentemente na revista ‘Nature’ revela o segredo dessa extraordinária longevidade num dos maiores animais do planeta.

Liderado por cientistas da Universidade de Rochester (Estados Unidos da América), em colaboração com dezenas de outros especialistas, o estudo avança que a capacidade das baleias B. mysticetus para viverem tantos anos está codificada numa proteína a que chamam de CIRBP.

Segundo os autores, essa proteína desempenha um papel fundamental na reparação de danos genéticos que, de outra forma, poderiam causar doenças e, assim, encurtar a vida desses animais, como acontece com os humanos.

No artigo, os investigadores dizem que essas baleias contêm quantidades de CIRBP muito superiores às de qualquer outro mamífero, pelo que esta descoberta pode, eventualmente, contribuir para outros estudos e investigações que ajudem a desacelerar os efeitos do envelhecimento nos humanos, bem como a incidência de cancros e danos genéticos.

“Esta investigação mostra que é possível viver mais tempo do que a típica longevidade humana”, afirma, em comunicado, Vera Gorbunova, uma das principais coautoras do estudo.

“Ao estudarmos o único mamífero de sangue quente que vive mais do que os humanos, o nosso trabalho fornece informações sobre os mecanismos que permitem vidas mais longas, salientando a importância da manutenção genómica para a longevidade”, acrescenta.

O facto de as baleias B. mysticetus viverem em regiões geladas do planeta – vivem quase exclusivamente nas águas frias do Ártico e do subártico. Esta investigação descobriu também que reduzir a temperatura a que as células dessas baleias estão expostas aumenta a produção da proteína CIRBP. Agora, os cientistas querem perceber se o mesmo pode acontecer com as células humanas.

Diz a sabedoria popular que tomar banhos de água fria ajuda a fortalecer a nossa saúde. É possível que tal seja mais do que mera crendice, embora mais investigações sejam precisas para confirmá-lo.

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