Uma equipa de especialistas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) identifica mais de 750 áreas que são habitats fundamentais para tubarões e raias migradores.
O trabalho, apresentado num relatório publicado em dezembro passado, é descrito pela UICN como “a imagem mais clara até ao momento” das áreas que são essenciais para a reprodução, alimentação, movimento e refúgio desses animais marinhos, membros do grupo dos elasmobrânquios.
Essas áreas de grande importância para tubarões e raias encontram-se um pouco por todo o mundo, das águas geladas do Ártico ao Oceano Pacífico ao Oceano Índico, passando pelo Atlântico, pelo Mediterrâneo e pelo Mar Negro, e até ao largo da costa dos países insulares do sudeste asiático e em águas interiores da América do Sul.
Dos mapas criados pela equipa de investigadores do grupo de especialistas em tubarões da Comissão de Sobrevivência das Espécies da UICN constam também áreas localizadas em águas portuguesas.
Os Açores, a Reserva Natural Parcial do Garajau e as Grutas Marinhas do Funchal na Ilha da Madeira e o monte submarino conhecido como Banco de Gorringe (a cerca de 200 quilómetros da ponta de Sagres que em 2025 passou a ser área marinha protegida) fazem parte da lista dos habitats críticos para tubarões e raias.
Além desses, também a costa vicentina, a Arrábida, Sesimbra, a Península de Setúbal e o Algarve, em especial as águas ao largo do Cabo de São Vicente e de Faro, são locais de grande importância para a sobrevivência desses seres marinhos, o que destaca a responsabilidade de Portugal na proteção e conservação daquele que é considerado o segundo grupo de vertebrados mais ameaçado do mundo.
Estima-se que mais de um terço de todas as espécies de raias e tubarões a nível global enfrentem o risco de extinção, sobretudo devido à pesca excessiva que reduz o número de presas, à mortalidade causada pela captura acessória e por ficarem presos em artes de pesca abandonadas ou descartadas no mar, à destruição dos seus habitats e aos efeitos cada vez mais severos das alterações climáticas.
Por tudo isso, os especialistas e autores deste relatório consideram ser de extrema importância saber quais as áreas do oceano global mais importantes para a sobrevivência desses animais marinhos para ajudar governos, entidades regionais e autoridades de gestão marítima a integrarem a conservação da biodiversidade nos planos do ordenamento marítimo, nas políticas dirigidas à pesca, em avaliações de impacte ambiental e em esforços de conservação.
Conhecer as áreas que são essenciais para os tubarões e as raias ajudará, ou pelo menos assim esperam os especialistas, a criar as proteções legais adequadas para mitigar os impactos negativos, por exemplo, das atividades humanas sobre essas espécies.
Rima Jabado, líder do grupo de especialistas em tubarões da UICN, explica que as áreas identificadas são os locais “onde as ações de conservação terão os maiores impactos”.
Para ela, os dados apresentados no relatório dão aos governos as evidências científicas de que precisam “para salvaguardar esses habitats antes que seja demasiado tarde”.
Várias dessas áreas sobrepõem-se a zonas de pesca, a rotas de transporte marítimo e de outros empreendimentos humanos, o que, dizem os autores do trabalho, demonstra “a necessidade urgente de integrar a ciência da biodiversidade nas decisões de uso do oceano”.









