O acesso à saúde animal em Portugal continua a ser feito maioritariamente de forma reativa, apesar de uma crescente valorização do bem-estar dos animais de companhia. De acordo com o estudo PetPulse Insights – Laços, Rotinas & Consumo, desenvolvido pela UPPartner, apenas 15% dos tutores têm atualmente um seguro de saúde animal, embora 40% afirmem ter intenção de vir a aderir no futuro, revelando uma diferença clara entre adesão real e predisposição.
Os dados, recolhidos junto de 483 tutores, sugerem que esta distância não está necessariamente associada a uma desvalorização da saúde animal, mas a fatores como a percepção de custo, o desconhecimento do funcionamento dos seguros e a adequação das soluções existentes às necessidades reais das famílias com animais. Para muitos tutores, o seguro continua a ser encarado como uma opção apenas em contexto de doença ou urgência, e não como um instrumento de acompanhamento ao longo da vida do animal.
O estudo indica ainda maior abertura ao seguro entre tutores urbanos, mulheres e faixas etárias mais jovens, segmentos que demonstram maior sensibilidade à previsibilidade financeira e a modelos de cuidado continuado. Este comportamento aproxima-se da evolução observada na saúde humana, onde os seguros são cada vez mais vistos como ferramentas de planeamento e prevenção, e não apenas de resposta a situações críticas.
“O seguro de saúde animal não é apenas uma proteção financeira. É uma forma de garantir continuidade de cuidado e tranquilidade às famílias, permitindo decisões mais informadas ao longo da vida do animal”, explica Bernardo Soares, médico veterinário e One Health Diretor da UPPartner.
O PetPulse Insights aponta também para uma relação entre a existência de seguro e a adoção de comportamentos mais preventivos, como visitas regulares ao veterinário e maior acompanhamento ao longo das diferentes fases de vida do animal. Neste contexto, os seguros podem desempenhar um papel relevante na transição de um modelo de saúde predominantemente reativo para um modelo mais preventivo e sustentável.
Para a UPPartner, estes resultados sublinham a importância de soluções mais claras, acessíveis e ajustadas às expectativas dos tutores, capazes de acompanhar a evolução da relação entre pessoas e animais. A integração com serviços digitais, a simplificação da informação e modelos mais flexíveis poderão ser determinantes para aproximar intenção e adesão.
“Quando falamos de One Health, falamos de uma visão integrada da saúde humana e animal. O acesso aos cuidados de saúde do animal tem impacto direto no bem-estar emocional das pessoas e na estabilidade das famílias”, acrescenta Bernardo Soares.
O estudo reforça que o futuro da saúde animal em Portugal passará por soluções que acompanhem a forma como as famílias se relacionam hoje com os seus animais, combinando prevenção, acessibilidade e confiança, num contexto em que o bem-estar animal e humano são cada vez mais indissociáveis.









