As florestas primárias, de crescimento lento e onde os humanos fizeram poucas ou nenhumas alterações são capazes de armazenar entre 78% e 89% mais carbono do que as florestas secundárias que são geridas ativamente.
A conclusão é de um estudo publicado recentemente na revista ‘Science’, que teve como foco áreas florestais na Suécia. Liderado por investigadores da Universidade de Lund, o trabalho revela que as florestas primárias conseguem reter mais carbono do que as outras nas próprias árvores vivem que as constituem, mas também na madeira morta e no solo até uma profundidade de 60 centímetros.
O solo é, de facto, o grande fator de diferença, com os autores a dizerem que é aí que estão as maiores quantidades de carbono armazenado nas florestas primárias. Aliás, referem mesmo que é no solo que está a maior diferença na capacidade de armazenamento de carbono entre florestas primárias e secundárias.
Com base em medições feitas na Suécia, a equipa estima que essa diferença é entre 2,7 e oito vezes superior a estimativas anteriores, um valor que equivale a 1,5 vezes todas as emissões do país nórdico desde 1834.
“O resultado mais surpreendente é a grande quantidade de carbono armazenado no solo das florestas de crescimento antigo. É a mesma quantidade que todo o carbono em florestas geridas – árvores, madeira morta e solo, no seu conjunto”, diz, em nota, Anders Ahlström, principal coautor do estudo.
Embora tenham um papel importante a desempenhar na mitigação das alterações climáticas, as florestas primárias estão a perder cada vez mais terreno para as florestas geridas com propósitos comerciais, como para a exploração de madeira e a bioenergia. Com base nos resultados obtidos, os investigadores avisam que não proteger as florestas primárias pode ter um custo mais elevado do que se pensava.
“Converter as florestas de crescimento antigo reduz a capacidade da paisagem para armazenar carbono de uma forma que antes desconhecíamos”, refere Didac Pascual, primeiro autor do artigo.
“Proteger as florestas de crescimento antigo que restam e permitir que florestas não geridas recuperam poderá proporcionar benefícios climáticos substancialmente maiores do que os demonstrados anteriormente”, aponta, lembrando que as florestas primárias estão a desaparecer rapidamente e que é preciso agir para impedir que desapareçam por completo.









