A exposição a condições de calor extremo está a aumentar o número de bebés com baixo peso ao nascer, conclui um novo estudo envolvendo investigadores da Universidade de Adelaide.
A investigação, publicada na revista BMC Medicine, analisou dados de saúde de mais de 85.000 mães e bebés no Paquistão, avaliando o impacto do calor extremo no tamanho dos recém-nascidos.
“Observámos que as mulheres grávidas incluídas no estudo apresentavam maior risco de ter bebés com baixo peso após períodos de temperaturas extremas”, afirma a investigadora principal, a Professora Associada Zohra Lassi, do Robinson Research Institute da Universidade de Adelaide.
Em algumas regiões do Paquistão, onde o clima é mais quente e existem maiores desigualdades socioeconómicas, o risco de baixo peso ao nascer aumentou até 70%.
O estudo combinou dados de nascimentos ao longo de dez anos (2008-2017) com a exposição mensal às temperaturas médias, identificando que 18% dos bebés nascidos tinham baixo peso, definido como menos de 2,5 quilos ou considerado menor do que a média.
Os investigadores estimam que até 13% destes casos podem estar associados a condições de calor, com este impacto projetado para aumentar entre 8 a 10% até à década de 2060 devido às alterações climáticas.
“Baixo peso ao nascer é já um problema de saúde neonatal significativo no Paquistão, associado a maior mortalidade infantil e a complicações de longo prazo, como atraso no crescimento e défices cognitivos”, explica a Professora Associada Lassi.
O estudo sublinha que o calor não atua isoladamente. “Interage com desafios existentes, como pobreza, acesso limitado a cuidados de saúde, má qualidade do ar e subnutrição materna, aumentando os riscos para mães e recém-nascidos de forma desigual”, afirma a investigadora Hira Fatima, do HEAL Global Research Centre da Universidade de Canberra.
Foi criado um índice de vulnerabilidade ao calor para identificar as províncias mais expostas, destacando-se o Sul do Punjab, o Norte do Sindh e o Baluchistão como as mais susceptíveis.
“Adaptar-se ao calor no Paquistão não pode limitar-se a avisos meteorológicos. É necessário reforçar os serviços de saúde materna, proteger grávidas vulneráveis e apoiar os distritos mais afetados pelo calor extremo”, acrescenta Fatima.
Os investigadores alertam que intervenções para mitigar os efeitos das alterações climáticas, melhorar o acesso a cuidados de saúde e promover o desenvolvimento sustentável são urgentemente necessárias, incluindo programas de saúde pública para apoiar grávidas durante ondas de calor e investimento em infraestruturas de saúde.
Embora o estudo se tenha focado no Paquistão, os resultados têm implicações para outros países, incluindo a Austrália, e evidenciam a necessidade de estratégias de cuidados maternos adaptadas ao clima.









