Marte pode ter tido condições para vida e o níquel pode ser a chave

Investigadores analisaram 126 rochas sedimentares e identificou a presença de níquel em 32 amostras, com concentrações que chegam a 1,1% do seu peso — o valor mais elevado alguma vez observado em rochas marcianas.

Redação

A descoberta de rochas com elevada concentração de níquel em Marte está a suscitar novo interesse sobre a possibilidade de o planeta ter albergado vida no passado. Os dados foram recolhidos pelo rover Perseverance, da NASA, na região de Neretva Vallis, um antigo canal fluvial que desaguava numa lagoa no interior da cratera de Jezero há mais de três mil milhões de anos.

De acordo com um estudo publicado na revista Nature Communications, a equipa liderada por Henry Manelski analisou 126 rochas sedimentares e identificou a presença de níquel em 32 amostras, com concentrações que chegam a 1,1% do seu peso — o valor mais elevado alguma vez observado em rochas marcianas. Os investigadores detetaram ainda uma associação frequente entre o níquel e compostos de sulfureto de ferro, bem como minerais como jarosite e akaganeite, resultantes da sua degradação.

Um dos aspetos mais relevantes do estudo é a semelhança entre estas formações e a pirite — um sulfureto de ferro comum em rochas sedimentares na Terra — frequentemente associada à atividade de microrganismos. Em investigações anteriores, estruturas deste tipo foram relacionadas com processos biológicos, nomeadamente respiração anaeróbia. Ainda assim, os autores sublinham que as formações agora identificadas em Marte podem resultar de reações químicas sem intervenção biológica, não constituindo prova de vida passada.

Apesar das cautelas, o estudo levanta uma possibilidade relevante: se existiram organismos em Marte primitivo, o níquel poderia ter estado disponível numa forma utilizável. Este elemento é essencial para várias enzimas presentes em microrganismos antigos na Terra, desempenhando um papel importante em processos como a produção de energia ou a fixação de carbono. Os investigadores admitem que o níquel identificado possa ter origem na alteração de rochas ígneas ou até na queda de meteoritos ricos neste metal.

Os autores defendem que serão necessários mais estudos para determinar a origem exata do níquel em Neretva Vallis e para explorar uma eventual ligação entre estes depósitos e a presença de matéria orgânica já anteriormente detetada na região.

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