Uma nova análise revela que a Europa mantém-se na dianteira mundial dos esforços de proteção ambiental, muito graças regulamentos fortes e aos seus compromissos para com a descarbonização.
De acordo com o Índice de Performance Ambiental de 2026 (“Environmental Performance Index”, ou EPI no inglês original), uma avaliação bianual realizada pelas universidades norte-americanas de Yale e de Columbia, a Estónia ocupa o primeiro lugar do ranking global deste ano, com uma pontuação de 74,79, de um total de 100.
O EPI 2026 avalia 177 países usando 47 indicadores de 12 categorias temáticas, da saúde ambiental à vitalidade dos ecossistemas e às alterações climáticas.
Dizem os especialistas que o desempenho desse país muito se deve a uma redução acentuada, ao longo da última década, nas emissões de gases com efeito de estufa associados à produção de energia. A Estónia expandiu a geração de eletricidade de fontes renováveis e reduziu a produção de combustíveis fósseis, e, além disso, os autores da análise dizem ter um dos melhores países do mundo no que toca à proteção da biodiversidade.
Os 20 primeiros lugares do ranking são ocupados por países europeus e pelo Japão. Portugal surge na 18.ª posição, com uma pontuação de 62,74, face aos 67 de 2020. No entanto, nesse ano, o país tinha ficado em 27.º lugar a nível mundial.
“O forte desempenho da Europa é parcialmente atribuível a regulações ambientais fortes e a um compromisso para com a descarbonização”, afirma Alex de Sherbinin, diretor do centro de investigação CIESIN da Universidade de Columbia e coautor do índice.
Apesar disso, os especialistas dizem que persistem “desafios de sustentabilidade significativos”. A título de exemplo, apontam a sustentabilidade na agricultura como uma das maiores dificuldades na região, mesmo para os países nos lugares mais cimeiros do ranking.
Os Estados Unidos da América surgem na 27.ª posição do ranking global, com 58,54 pontos. E é possível que o desempenho da potência americana venha a piorar.
“Os Estados Unidos arriscam ficar ainda mais para trás nos próximos anos, à medida que recuam nos seus compromissos ambientais”, salienta Sherbinin.
Segundo a análise, o país tem um bom desempenho na área da saúde ambiental, mas as pontuações são fracas na proteção da biodiversidade e nas métricas associadas às alterações climáticas. Além disso, embora as emissões de gases com efeito de estufa dos EUA tenham caído 9,6% entre 2014 e 2024, esta avaliação prevê que as emissões continuarão muito acima do necessário para alcançar neutralidade carbónica até 2050.
No fim do ranking, surge o Laos, com 21,78 pontos. A Índia ocupa o penúltimo lugar, com 22,46 pontos, que os autores do EPI explicam como sendo reflexo da grave poluição do ar, da continuação da dependência do carvão para produção de energia e de proteções insuficientes da biodiversidade.
Os especialistas destacam ainda o Botswana e a Costa Rica como exemplos de países que conseguiram conjugar um forte crescimento económico com bons resultados de sustentabilidade, o que consideram ser prova de que o desenvolvimento não tem de ser alcançado à custa do ambiente.
“Se os países querem manter a trajetória rumo à neutralidade carbónica até 2050, precisarão de continuar a fazer grandes reduções nas emissões, o que exigirá políticas adicionais no futuro”, sublinha Zach Wendling, principal autor do EPI 2026.









