WWF: “Hoje, a ciência é só uma opinião e não a verdade”

A responsável falava em Lisboa por ocasião do primeiro aniversário da WWF Portugal quando se referiu aos riscos de retrocesso ambiental, apontando a importância da sociedade civil num momento que, reconheceu, é mau para a natureza.

Green Savers com Lusa

A diretora executiva do escritório de políticas europeias da organização ambientalista WWF, Ester Asin, alertou ontem para a disrupção que acontece no mundo e que tem efeitos na proteção da natureza e do clima.

A responsável falava em Lisboa por ocasião do primeiro aniversário da WWF Portugal quando se referiu aos riscos de retrocesso ambiental, apontando a importância da sociedade civil num momento que, reconheceu, é mau para a natureza.

“Hoje, a ciência é só uma opinião e não a verdade”, disse Ester Asin, acrescentando em declarações à Agência Lusa que o papel da ciência, de informar sobretudo políticas públicas e apresentar evidências, cada vez se questiona mais.

“Porque se considera que é uma opinião e, pior, uma opinião política, quando a ciência, não creio que tenha uma ideologia”, disse, acrescentando que tal aconteceu quando da pandemia de covid-19 e acontece muito também nas questões climáticas.

“Quando os cientistas dizem que o aquecimento global está a acelerar e se não tomarmos medidas podemos chegar a determinados valores, continuamos a ignorar”.

A responsável apontou no entanto como positivo que a questão das alterações climáticas continue a ser um tema de preocupação para os cidadãos europeus, ao contrário do que acontece com os responsáveis políticos, que definiram outras prioridades.

É certo, afirmou, que há vários níveis de ação na luta contra o aquecimento global, a individual por exemplo. Mas “uma mudança verdadeira tem de vir com políticas públicas que apoiem essa mudança, que acompanhem as empresas”.

E isso, afiançou, é possível, porque já aconteceu no passado, por exemplo com o Pacto Ecológico Europeu. “Mas hoje não há vontade política” com uma agenda mais nacionalista e populista, que está focada em outros temas.

“Não digo que não são importantes, mas o que vai definir mais o nosso futuro é como respondemos à emergência climática e à biodiversidade”, afirmou Ester Asin, considerando que se ao nível político a natureza está a perder importância isso não acontece com os cidadãos, organizações, e mesmo empresas, o que constitui “um foco de esperança”.

Mas não tem dúvidas de que este “não é melhor momento” para a natureza. Aos presentes na cerimónia disse que o multilateralismo e o direito parece que perderam importância, que as manifestações de jovens pelo ambiente do final da década passada já não acontecem.

Questões que, salientou, fazem com que a missão de organizações como a WWF seja ainda mais relevante. E que se mantém cada vez mais os objetivos de defender a biodiversidade, aumentar a conservação, fazer a transição na agricultura, reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e promover a adaptação às alterações climáticas e “elevar a natureza”.

Temas idênticos aos que a WWF Portugal apresentou na estratégia para 2030, que terá como prioridades o restauro de ecossistemas, conservação de espécies, sistemas alimentares sustentáveis, clima, as pessoas, e “elevar a natureza nas decisões públicas e privadas”.

A WWF Portugal vai investir 1,8 milhões de euros no restauro da natureza até 2030, no âmbito da iniciativa chamada Re-Store Portugal.

O escritório nacional da WWF, com origem na internacional “World Wide Fund for Nature”, uma das mais conhecidas organizações ambientalistas, foi criado no ano passado, depois de sete anos em que a organização internacional era representada no país pela Associação Natureza Portugal.

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