A associação ambientalista Zero considerou ontem que ceder na proibição de veículos de combustão após 2035 é um “erro grave” para o clima e a saúde públicas, e pediu aos políticos portugueses uma posição firme contra qualquer recuo.
A Comissão Europeia (CE) abandonou ontem a meta de ter em 2035 só carros elétricos ou a hidrogénio, fixando-a agora nos 90%, respondendo às preocupações do setor.
Assim, a partir de 2035, é obrigatória a redução de 90% das emissões de gases poluentes, sendo os restantes 10% compensados com a utilização de aço de baixo carbono produzido na União Europeia (UE), uso de combustíveis sintéticos (‘e-fuels’) e de biocombustíveis.
Num comentário à decisão a Zero diz em comunicado que a proposta “enfraquece significativamente” os compromissos da União Europeia (UE) em matéria de saúde pública e de descarbonização do transporte rodoviário, e considera que se trata de “um dos maiores retrocessos nas políticas ambientais da UE nos últimos anos”.
A Zero recorda que os transportes representam 25% das emissões de gases com efeito de estufa na UE e mais de 34% em Portugal, e diz que o recuo compromete os objetivos da UE de neutralidade carbónica até 2050 e coloca em risco a meta intermédia de redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) em 2030.
A decisão, acrescenta, também implica emissões adicionais de poluentes atmosféricos, com consequências diretas para a saúde pública.
A Zero aponta que as metas de redução de CO2 já estavam a impulsionar “progressos significativos”, promovendo a adoção de veículos elétricos, estimulando a inovação e incentivando novos investimentos, e refere que o adiamento da meta ameaça esse ritmo de progresso, cedendo vantagens a concorrentes fora da Europa.
Nos últimos anos a venda de veículos elétricos tem vindo a aumentar, sendo que em 2025 os fabricantes europeus registaram um aumento de 34% nas vendas de veículos elétricos em comparação com o ano anterior, e a quota de veículos 100% elétricos no total de vendas de automóveis novos na UE estava em torno dos 15 % em maio 2025, nota.
O Governo português e os deputados nacionais no Parlamento Europeu devem assumir plenamente a Estratégia Europeia para a Mobilidade Inteligente e Sustentável, insta a associação, que entende que o recuo nas metas de 2035 coloca em risco a credibilidade climática e a liderança tecnológica da União Europeia, desincentivando o investimento em veículos elétricos e infraestruturas, num momento em que outras economias avançam rapidamente.
E deixa um aviso: ceder a pressões que atrasam o fim dos motores de combustão seria um erro grave e contrário aos compromissos climáticos europeus e nacionais, e Portugal deve alinhar-se com os países que defendem a integridade do objetivo de 2035.









