Desflorestação antiga aumenta risco de doença fúngica em florestas nativas australianas

Uma investigação concluiu que florestas regeneradas após desflorestação são atualmente pontos críticos de impacto da doença, devido à elevada concentração de espécies particularmente suscetíveis.

Redação

Áreas de floresta que foram desmatadas no passado estão hoje mais vulneráveis ao fungo Austropuccinia psidii que causa a ferrugem-da-murta, uma doença que ameaça várias espécies nativas da Austrália, revela um novo estudo liderado por investigadores da Queensland University of Technology.

A investigação, publicada na revista científica Ecological Solutions and Evidence, concluiu que florestas regeneradas após desflorestação são atualmente pontos críticos de impacto da doença, devido à elevada concentração de espécies particularmente suscetíveis.

Os investigadores analisaram 21 áreas de floresta húmida de eucaliptos no estado de Queensland e no norte de Nova Gales do Sul, avaliando terrenos em parques nacionais, áreas municipais e propriedades privadas. Os locais tinham diferentes históricos de utilização do solo, incluindo níveis variados de desflorestação registados na década de 1960.

Segundo a investigadora Kristy Stevenson, uma das autoras do estudo, as florestas que sofreram maior desflorestação no passado apresentam hoje maior abundância de plantas hospedeiras vulneráveis à doença.

Entre elas destaca-se a uma pequena árvore nativa que recupera rapidamente após o abate de floresta e pode tornar-se dominante em áreas regeneradas.

“Estas plantas proliferam após a desflorestação, mas a sua abundância também está associada a danos mais severos provocados pela ferrugem-da-murta”, explica Stevenson.

A doença é causada pelo fungo invasor  originário da América do Sul e detetado pela primeira vez na Austrália em 2010. Desde então espalhou-se rapidamente pelo país, afetando espécies da família das Mirtáceas, incluindo vários eucaliptos.

De acordo com os investigadores, o uso histórico do solo deixa uma “herança biológica” que pode influenciar o risco de doença décadas depois. Não se trata apenas de saber onde o patógeno pode chegar, mas também de identificar onde se concentram as plantas mais vulneráveis.

A coautora do estudo, Jennifer Firn, sublinha que os resultados têm implicações importantes para a gestão florestal. As florestas regeneradas poderão exigir uma monitorização mais próxima para detetar sinais de ferrugem-da-murta e invasões de plantas exóticas, enquanto as áreas menos perturbadas podem funcionar como refúgios para populações mais saudáveis de espécies ameaçadas.

Segundo os autores, cruzar mapas históricos de desflorestação com dados sobre a idade das florestas poderá ajudar gestores e conservacionistas a identificar zonas prioritárias para vigilância e intervenção, contribuindo para travar a propagação desta doença.

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