As emissões de dióxido de carbono geradas pelos Estados Unidos da América (EUA) desde 1990 já custaram ao mundo cerca de 8,6 biliões de euros em perdas económicas. Na Europa, o preço pago pela poluição norte-americana ronda já os 1,2 biliões de euros.
As estimativas são avançadas num estudo publicado esta semana na revista ‘Nature’, da autoria de investigadores da Universidade de Stanford. O objetivo era pôr um preço nos danos causados a países individuais e ao mundo pelo dióxido de carbono emitido, ao longo do tempo, por países e grandes empresas.
Além dos impactos na Europa, as emissões dos EUA também custaram já cerca de 286 mil milhões de euros ao Brasil e 433 mim milhões à Índia. Ainda assim, aproximadamente um terço dos danos económicos foram autoinfligidos, com perto de três biliões a recaírem sobre os próprios EUA.
Se esses números parecem incomensuráveis, os investigadores dizem que o pior pode estar por vir, uma vez que os danos económicos previstos para as próximas décadas deverão ser significativamente superiores aos que até agora se registaram.
No que toca às empresas que mais contribuem para as emissões de gases com efeito de estufa que estão a aquecer o planeta Terra para lá dos seus limites, a investigação mostra que as emissões entre 1988 e 2015 da produção e uso de petróleo da saudita Saudi Aramco, o maior emissor único do mundo, causaram 2,6 biliões de euros em danos até 2020 a nível global.
Se essas emissões se mantiverem na atmosfera até ao final do século, os cientistas preveem que os danos serão amplificados cerca de 20 vezes, para a casa dos 55 biliões de euros.
“Enquanto houver uma grande quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, está a causar aquecimento e esse aquecimento está a causar danos”, diz Marshall Burke, primeiro autor do artigo.
Sendo consideradas uma “externalidade global”, os gases com efeito de estufa emitidos num país acabarão, e uma forma ou de outra, por afetar todos os outros.
“Tipicamente pensamos sobre como lidar com as alterações climáticas de duas formas”, aponta Burke: a mitigação ou a adaptação aos seus efeitos. Para o investigador compreender os danos que ocorrem quando a mitigação e a adaptação se revelam insuficientes é a terceira parte dessa equação climática, uma sobre a qual não se fala muito.
Uma conta que continua por pagar
Neste trabalho, surge uma analogia entre gases com efeito de estuga e os resíduos que produzimos nas nossas casas. “Quando produzimos lixo, é ilegal despejá-lo onde queremos porque, ao fazê-lo, estamos a criar custos para outros”, exemplifica Solomon Hsiang, principal coautor do estudo.
“Normalmente, pagamos a alguém para levar os nossos resíduos. O nosso legado de emissões de gases com efeito de estufa é semelhante, só que nunca pagámos a conta e esta continua a acumular juros”, avisa.
A equipa sugere que a remoção de dióxido de carbono da atmosfera é uma forma de reduzir a dívida, mas avisa, com base em estimativas da investigação, que se uma tonelada de dióxido de carbono permanecer na atmosfera por 25 anos antes de ser removida, então metade dos danos esperados para essa tonelada foram já causados.
Os investigadores admitem que os danos podem ser substancialmente superiores aos que apresentam, que dizem ser estimativas “conservadoras”. Isso, porque nas suas contas estão só incluídos impactos refletidos no PIB, não incluindo a perda de biodiversidade e de património cultural.
“A nossa abordagem também subestima algumas fontes de impactos climáticos, como a subida do nível do mar e certos tipos de fenómenos extremos”, explica Noah Diffenbaugh, que também assina este artigo.









