A avaliação da saúde dos rios em Portugal está incompleta e propõe um método complementar baseado na decomposição da matéria vegetal.
A conclusão é de um estudo publicado recentemente na revista ‘Freshwater Biology’, que foi coordenado pelo MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com o laboratório Rede de Investigação Aquática (ARNET).
O trabalho envolveu 23 investigadores de sete instituições nacionais e analisou a decomposição de folhas e madeira em 37 ribeiros do continente e da Madeira. Foi também feita uma revisão de 61 estudos prévios sobre decomposição de detritos vegetais em rios portugueses.
Explicam os cientistas que medir o nível de decomposição da matéria vegetal permite, por seu lado, avaliar a integridade funcional dos ecossistemas aquáticos, “um aspeto que não é considerado na avaliação oficial”, que se baseia quase exclusivamente em indicadores estruturais, como as comunidades aquáticas ou a qualidade da água.
Para Verónica Ferreira, primeira autora do artigo, “mesmo entre ribeiros praticamente intactos, observamos grande variabilidade nas taxas de decomposição”.
“Só conhecendo as taxas naturais de decomposição é possível identificar desvios que indiquem perturbações, mesmo antes de serem visíveis nas comunidades aquáticas”, salienta.
A equipa avança também que fatores como o tipo de detrito vegetal, a presença de macroinvertebrados fragmentadores, a temperatura da água, o regime hidrológico, a estação do ano e a composição química da água influenciam a velocidade de decomposição.
“Ribeiros permanentes e intermitentes apresentam dinâmicas distintas, refletindo diferenças na disponibilidade de água e na atividade biológica ao longo do ano”, apontam.
Por tudo isso, os autores defendem “a padronização dos métodos de medição das taxas de decomposição – incluindo o tipo de detrito a usar, a duração da incubação e o acesso dos invertebrados – como ferramenta robusta para avaliação funcional e comparações entre diferentes ecossistemas”.
Concluem os investigadores que “este trabalho estimula a integração de indicadores funcionais na avaliação da saúde dos rios, permitindo uma visão mais completa e realista da condição destes ecossistemas”.









