Podemos, à primeira vista, achar que estamos a ver as mesmas aves: pequenos pássaros de cobres vibrantes que voam de flor em flor para beber néctar. Contudo, colibris, ou beija-flores, e nectariniídeos são diferentes animais e não têm parentesco próximo.
Os beija-flores, presença assídua em versões cinematográficas de contos de fadas, pertencem à família dos Troquilídeos e são nativos das Américas. Por seu lado, os nectariniídeos têm as suas raízes na Ásia, de onde originam, e em África, que colonizaram.
Ambos alimentam-se de néctar, mas têm estratégias muito diferentes para conseguirem levá-lo das flores até às suas bocas, usando apenas a língua. O beija-flor, apesar do nome, não sugam o líquido adocicado, mas, ao invés, usam a sua língua como esponja.
Embora os humanos, desde que nascem, sejam capazes de usar a boca para criar um efeito de sucção, muitos outros animais, à exceção dos mamíferos e de uma mão-cheia de outros, não o conseguem fazer, pois não têm lábios móveis.
No entanto, essa noção está a ser desafiada por um grupo de investigadores que diz ter descoberto que os nectariniídeos, na verdade, são capazes de usar a sucção para sorver o néctar.
Num artigo publicado recentemente na revista ‘Current Biology’, cientistas dos Estados Unidos da América, da Indonésia, de África do Sul e da Bélgica declaram que esta é a primeira vez que se toma conhecimento de que um animal usa a sua língua para sugar líquidos. Além disso, consideram que esta é uma prova clara de que, na Natureza, frequentemente para o mesmo problema são criadas diferentes soluções.
Usando flores artificiais de impressão 3D e câmara de alta velocidade, a equipa percebeu que os nectariniídeos têm línguas cuja base tem uma forma de V. Quando a ave insere a língua na flor e chega ao néctar, pressiona a base contra o topo de bico, criando um selo hermético. À medida que vai recolhendo a língua, cria sucção que puxa o néctar e, assim, permite ao animal ingerir o líquido.
“É a interação entre a língua e o bico que cria a pressão negativa”, explica Rauri Bowie, coautor do estudo.
Assim, apesar de serem semelhantes e de se alimentarem de néctar, beija-flores e nectariniídeos têm formas muito diferentes de conseguirem extrair das flores o líquido rico em calorias de que precisam para sustentarem os seus estilos de vida acelerados. Para os investigadores, isso ajuda a desvendar ainda mais os mistérios do mundo natural e a reforçar o conhecimento sobre as diferenças entre os dois grupos de aves e sobre como, apesar de diferentes e distantes, convergem no que toca ao consumo de néctar.









