Probióticos e prebióticos podem ajudar abelhas a resistir às alterações climáticas

Investigação conduzida por cientistas do Irão e do Canadá indica que suplementos alimentares podem aumentar a sobrevivência das abelhas melíferas perante temperaturas extremas.

Redação

A administração de probióticos e prebióticos às abelhas melíferas (Apis mellifera) poderá ajudá-las a enfrentar os efeitos do aquecimento global, tornando as colónias mais resistentes ao aumento das temperaturas. A conclusão surge de um estudo desenvolvido por investigadores iranianos e canadianos.

A equipa científica avaliou o impacto de suplementos alimentares compostos por um probiótico comercial, o Progen, e pelo prebiótico inulina. Durante 21 dias, grupos de abelhas operárias receberam diferentes doses destes suplementos antes de serem expostos a quatro regimes de temperatura distintos: 4°C, 15°C, 35°C e 40°C.

Os investigadores monitorizaram as taxas de sobrevivência dos insetos e analisaram a produção de enzimas associadas às respostas ao stress térmico. Os resultados revelaram que as abelhas que receberam as doses mais elevadas dos suplementos apresentaram maiores probabilidades de sobreviver às temperaturas mais elevadas.

De acordo com o estudo, cada aumento na dose administrada traduziu-se numa melhoria das taxas de sobrevivência. Além disso, as abelhas que receberam a dose mais alta produziram menores quantidades de enzimas relacionadas com o stress e apresentaram comunidades microbianas intestinais mais diversificadas e abundantes.

Para efeitos de comparação, os cientistas analisaram também um grupo de abelhas que não recebeu qualquer suplementação. Estes insetos registaram as menores taxas de sobrevivência e os níveis mais elevados de enzimas associadas ao stress térmico.

Os autores consideram que os resultados apontam para o potencial dos probióticos e prebióticos como ferramenta para mitigar os efeitos das alterações climáticas sobre as populações de abelhas. Segundo os investigadores, o reforço da saúde intestinal destes polinizadores poderá contribuir para aumentar a sua resistência a episódios de calor extremo, cada vez mais frequentes devido ao aquecimento global.

As abelhas desempenham um papel fundamental na polinização de culturas agrícolas e de ecossistemas naturais, sendo consideradas essenciais para a produção alimentar e para a manutenção da biodiversidade. O estudo sugere que estratégias nutricionais poderão vir a integrar futuras medidas de proteção destes insetos perante os desafios colocados pelas alterações climáticas.

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