O bodião-da-areia (Xyrichtys novacula) é considerado um dos peixes mais emblemáticos do arquipélago da Baleares e de grande importância para a pesca recreativa. Contudo, essa pressão está a alterar a própria genética desses animais.
Uma recente investigação, liderada pelo Instituto Mediterrânico de Estudos Avançados e pelo Instituto de Ecologia dos Países Baixos, revela que as populações de bodiões-da-areia que vivem dentro de áreas marinhas protegidas onde a pesca é proibida têm uma diversidade genética “significativamente maior” do que as que vivem em áreas sujeitas à pressão da captura.
Quando mais diversificada for uma população, maior capacidade terá para, pelo menos parte dela, fazer face e sobreviver a alterações ambientais, a doenças ou a outras ameaças.
Por exemplo, quando os indivíduos de uma população têm uma composição genética muito semelhante, uma mesma doença pode devastá-la porque todos padecem da mesma vulnerabilidade, ao passo que de houver diversidade, é possível que alguns indivíduos consigam enfrentar a ameaça e sobreviver, dando continuidade à população e transmitindo essa vantagem às gerações seguintes.
Por isso, os investigadores descrevem as áreas marinhas protegidas com exclusão de pesca como “reservatórios de diversidade genética” destes bodiões, podendo ajudar a espécie a manter a sua capacidade de adaptação.
Além disso, os cientistas perceberam ainda que, em média, dos bodiões que vivem dentro das zonas de exclusão de pesca são 2,5 centímetros mais compridos e dois anos mais velhos do que os que vivem fora delas. Entendem que isso se deve à pressão da pesca, que impede que os peixes consigam atingir tamanhos maiores e idades mais avançadas.
Para Margarida Barceló, primeira autora do artigo publicado na revista ‘Philosophical Transactions of the Royal Society B’, os resultados deste trabalho mostram que essas áreas marinhas “podem ter um papel fundamental na conservação da diversidade biológica” do bodião-da-areia. No entanto, reconhece que é preciso perceber melhor como é que os bodiões que vivem nas áreas marinhas de exclusão de pesca ajudam os que vivem foram delas a adquirirem maior diversidade e maior resiliência face a ameaças.









