Investigadores australianos estão a liderar um novo consórcio internacional que pretende revolucionar o melhoramento do trigo, recorrendo a tecnologias avançadas de biologia molecular para desenvolver variedades mais produtivas e resistentes às alterações climáticas.
O Wheat Spatial Omics Consortium (WSOC) reúne mais de 30 instituições de nove países e será coordenado pela Universidade de Adelaide. O objetivo é explorar o potencial das chamadas tecnologias de “ómica espacial” para melhorar o desempenho do trigo no campo.
Estas tecnologias permitem mapear, com elevado detalhe, a localização e atividade de genes, proteínas e outros componentes celulares, mantendo o contexto espacial dentro dos tecidos da planta — algo que métodos tradicionais não conseguem fazer. Na prática, isto possibilita compreender melhor como diferentes partes da planta contribuem para características como produtividade, resistência a pragas e doenças ou tolerância a condições adversas, como a seca.
Segundo os investigadores, esta abordagem já é amplamente utilizada em áreas como a medicina, mas a sua aplicação em culturas agrícolas, especialmente em plantas com genomas complexos como o trigo, ainda é limitada.
O consórcio pretende criar um “atlas” detalhado do trigo, acompanhando o desenvolvimento da planta ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde o nível celular até à formação do grão. Este trabalho permitirá identificar os mecanismos biológicos responsáveis por características essenciais, como a qualidade do grão ou a resistência a doenças.
Entre os objetivos concretos estão o desenvolvimento de variedades mais resistentes à ferrugem das folhas, com maior tolerância à seca ao nível das raízes e com melhor qualidade para panificação.
Os investigadores sublinham que o impacto poderá ser significativo à escala global. O trigo é uma das culturas mais importantes do mundo, e melhorias na sua produtividade e qualidade poderão contribuir para combater a insegurança alimentar e a malnutrição.
Além disso, o projeto poderá transformar a forma como os programas de melhoramento genético são conduzidos, fornecendo novas ferramentas e conhecimento para criar as variedades de trigo do futuro, mais adaptadas a ambientes em rápida mudança.









