Tejo em risco de secar completamente



Estranhamente a notícia acaba de sair no jornal inglês The Guardian, que falou com ambientalistas do país vizinho, como Miguel Ángel Sánchez, porta-voz da Plataforma de Defesa do Tejo, ou Nuria Hernández-Mora, da Fundação para uma Nova Cultura da Água. E o quadro traçado é negro para o maior rio da Península Ibérica, que desagua em Lisboa, e do qual dependem tantos milhões de pessoas.

Para os ambientalistas, os problemas começam logo a montante, quando foi criada a central de transvase Tajo/Segura, para irrigar as zonas mais pobres em recursos hídricos a sul. A central começou a funcionar no início dos anos 80, mas os caudais foram mal calculados, tendo o Tejo valores muito abaixo do estimado. O rio tem cerca de 51 barragens, só em Espanha, e duas centrais de transvase, mas hoje estão disponíveis apenas 47% dos recursos hídricos e as centrais apenas 11%, da capacidade. Hoje em dia é impossível proceder às transferências, mas como o país vizinho tem uma lei que torna os transvazes obrigatórios mal se atinjam “valores aceitáveis”, nem sequer se consegue proceder à recuperação do caudal.

Depois, continua o relato, o Tejo fornece água aos seis milhões de habitantes de Madrid, mas a cidade gere muito mal os recursos, primeiro com enormes desperdícios e depois porque os sistemas de tratamento de águas residuais são claramente inadequados, mas voltam de novo para o Tejo. E isto antes de irem arrefecer a central nuclear de Almaraz….

Um cenário muito semelhante foi traçado num recente relatório da Comissão Europeia, que defende também que a conjugação destes factores – má gestão de recursos e poluição – colocam o rio numa situação crítica. E os períodos de seca prolongada, como vivemos agora, potenciados pelas alterações climáticas, agravam ainda mais a situação.

Ao jornal Sol, Paulo Constantino, porta-voz do movimento ProTejo, afirma que as autoridades espanholas só “enviam água quando é necessário produzir energia hidroeléctrica”, e que fora isso, “a água é retida e, mesmo que haja, ela não é enviada. Se houver um ano de seca, é óbvio que é mais difícil fornecer maiores caudais, mas aquilo que se vê é que, sejam ou não anos de seca, os caudais permanecem baixos”,

Felizmente a situação em Portugal é um pouco melhor do que em Espanha, pois vários afluentes aumentam o caudal do rio e reoxigenam as águas, diminuindo a poluição, mas ainda assim este ambientalista defende que “em vez de caudais mínimos que são técnicos, administrativos e estabelecidos de forma política” se opte por “estabelecer um regime de caudais ecológicos de forma científica”. E, já agora, que giram melhor o nosso rio do outro lado da fronteira.

Foto: Wiki Commons





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