Austrália Ocidental arrisca perder nova vaga de investimento em recursos naturais, alerta relatório

O estudo, intitulado “WA’s Resources Sector in Transition”, conclui que o setor dos recursos continua a ser o principal motor económico do estado australiano, gerando cerca de 200 mil milhões de dólares australianos por ano e sustentando emprego, exportações e receitas públicas.

Redação

A Austrália Ocidental poderá perder oportunidades estratégicas de investimento global no setor dos recursos naturais se continuar dependente do modelo tradicional de extração e exportação de matérias-primas, segundo um novo relatório divulgado pelo Centro de Economia Bankwest Curtin (BCEC).

O estudo, intitulado “WA’s Resources Sector in Transition”, conclui que o setor dos recursos continua a ser o principal motor económico do estado australiano, gerando cerca de 200 mil milhões de dólares australianos por ano e sustentando emprego, exportações e receitas públicas. No entanto, os investigadores alertam que a transição energética, a descarbonização da economia, a inovação tecnológica e a crescente concorrência internacional estão a transformar rapidamente os mercados globais.

De acordo com os autores, a próxima fase de crescimento económico dependerá menos do volume de recursos extraídos e mais da capacidade de gerar valor acrescentado através do processamento, da inovação e do desenvolvimento industrial.

“Durante décadas, a prosperidade da Austrália Ocidental foi construída com base na extração e exportação de recursos naturais. Esse modelo serviu-nos muito bem, mas o próximo capítulo será diferente”, afirma Alan Duncan, diretor do BCEC e coautor do relatório.

O minério de ferro continua a ser a principal riqueza do estado, representando cerca de 126 mil milhões de dólares australianos em produção económica e mais de 80% das receitas provenientes de royalties. Contudo, o relatório prevê que o seu peso relativo diminua ao longo das próximas décadas.

Em contrapartida, espera-se um forte crescimento da procura por minerais críticos utilizados em baterias, veículos elétricos, energias renováveis e tecnologias emergentes. Segundo as projeções do estudo, os setores ligados aos minerais críticos, ao processamento industrial e a outras atividades de valor acrescentado poderão gerar mais de 100 mil milhões de dólares australianos por ano até 2050, face aos cerca de 20 mil milhões registados atualmente.

Ao mesmo tempo, as exportações de combustíveis fósseis deverão cair de aproximadamente 39 mil milhões de dólares australianos em 2025 para cerca de 11 mil milhões em 2050, num cenário de transição energética acelerada.

Para Silvia Salazar, também coautora do relatório, a Austrália Ocidental dispõe de uma oportunidade única para se posicionar como líder nas indústrias associadas à transição energética global. No entanto, alerta que o sucesso dependerá da capacidade de assegurar investimentos adequados em energia, infraestruturas, qualificação profissional e inovação.

O relatório destaca ainda a importância das receitas geradas pelos recursos naturais para as finanças públicas. No último ano, os royalties provenientes da mineração e do petróleo renderam quase 10 mil milhões de dólares australianos ao governo estadual, o equivalente a cerca de um quinto da receita total do estado.

Face a esta dependência, os investigadores defendem uma estratégia coordenada entre governo, indústria e sociedade para garantir que a riqueza gerada atualmente seja convertida em benefícios duradouros para as futuras gerações.

O estudo analisa ainda diferentes cenários de política fiscal, incluindo reformas nos regimes de royalties, alterações na tributação dos recursos naturais e a possibilidade de participação pública em grandes projetos de gás natural liquefeito (GNL). As simulações indicam que pequenas alterações nas políticas fiscais poderão traduzir-se em milhares de milhões de dólares adicionais para os cofres públicos ao longo da vida útil dos projetos.

Entre as recomendações apresentadas estão o reforço da industrialização local, o investimento em infraestruturas estratégicas, o aumento da produtividade e da inovação e o desenvolvimento de cadeias de valor ligadas à transição energética.

Para os autores, o grande desafio passa por transformar a riqueza gerada pela mineração atual em novas indústrias, emprego qualificado e crescimento económico sustentável para o futuro. “Cada tonelada extraída deve ajudar a construir um futuro mais forte para a Austrália Ocidental”, conclui Alan Duncan.

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