Chuva não chegou a tempo: agricultores desistiram das sementeiras de Outono

Até meados de Outubro o cenário repetiu-se: céu limpo, temperaturas muito elevadas para a época, nem uma gota de chuva. Quando se começou a registar alguma precipitação já era tarde demais.

De norte a sul muitos agricultores desistiram das sementeiras de Outono. Sabem que o tempo para o crescimento e amadurecimento de certas culturas já está comprometido, por isso baixam os braços.

António Pequito, presidente da Associação de Regantes Beneficiários do Divor disse ao jornal Expresso que “já na campanha agrícola anterior tinha havido uma quebra de 35% na água disponível para a rega”, mas “desde 2009 que a barragem” que serve a região de Arraiolos, onde tem o seu escritório, “não tinha tão pouca água”. E a que existe, sublinha, “já não chega para a rega”. Daí que haja extensões e extensões de terra “que já devia estar semeada”, sem nada.

Tal como António Pequito, também Jerónimo Abreu e Lima lamenta o feito devastador da falta de água na agricultura. Com uma exploração de oliveiras e sobreiros em Bragança, já não tem esperança quanto ao resultado da próxima apanha: “Devido ao stresse hídrico a maior parte dos olivais tem a azeitona seca, mirrada e há árvores a largarem folhas para reduzir a transpiração”. Com chuva ou sem ela, o olivicultor não tem dúvidas: “Já não se recupera”.