São boas noticias para a vida selvagem da Antártica: uma super colónia de pinguim-de-adélia, animal que viu a sua espécie diminuir drasticamente nos últimos 40 anos, encontrou poiso seguro numa zona remota da Antártica.

Contra todas as expectativas, uma imensa colónia com mais de 1.500.000 pinguins-de-adélia, habita agora as águas gélidas das ilhas Danger, um aglomerado de ilhas onde as rochas preenchem a paisagem ao largo da ponta Norte da Península da Antárctica.

A boa nova foi publicada há dias na revista Scientific Reports, com os responsáveis da investigação a darem conta da existência de 751.527 casais de pinguins a viver em plena harmonia neste local.

Rodeadas por uma imensidão de rochas e por um mar picado seja Inverno ou Verão, as ilhas Danger não eram à partida o local de eleição para esta comunidade de pinguins. Ou pelo menos assim julgavam os investigadores. “Até recentemente, não fazíamos ideia que as Ilhas Danger eram um habitat importante para os pinguins”, confessou Heather Lynch, responsável pelo estudo.

O fascínio de Lynch pelos pinguim-de-adélia dura já há vários anos. Corria o ano de 2014, quando a investigadora se juntou a uma equipa da NASA na recolha de vestígios de pinguins nesta região da Antártica. Mais tarde, acabou mesmo por partir numa expedição às ilhas acompanhada por Tom Hart (Universidade de Oxford), a Mike Polito (Louisiana State University), e Stephanie Jenouvrier, uma ecologista de aves marinhas do Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI). Objectivo? Tentar descobrir, no terreno, o número exacto desta espécie.

Mas como explicar uma tão grande comunidade de pinguins num local tão inóspito? A resposta permanece ainda uma incógnita, mas uma maior disponibilidade de alimento e a extensão e espessura do gelo marinho são apontados como possíveis factores.

Um estudo com premissas e conclusões fascinantes, que mostra o quanto ainda desconhecemos da vida selvagem, para ler aqui.

Foto: Michael Shepard / flickr